Como são as aulas domiciliárias para crianças com perturbações da aprendizagem?
Confrontados com a necessidade de encerrar as escolas e de as aulas passarem a ser assistidas a partir de casa, tanto pais como alunos levantaram algumas questões quanto ao impacto que esta mudança repentina de ambiente educativo poderia gerar no contexto escolar para as crianças - nas capacidades desenvolvidas e a desenvolver -, mas também o impacto pessoal e social que o tempo de confinamento tem.
«A UNESCO estima que cerca de metade de todos os estudantes do mundo, dos vários níveis de ensino, estejam a ser afetados por esta paragem.» (Jornal Público)
Apesar de não haverem estudos concretos sobre o impacto de uma interrupção escolar devido à pandemia nas aprendizagens e competências dos alunos, sabe-se que se debatem com mais dificuldades os alunos que já enfrentavam alguns problemas na fase anterior, em ensino presencial.
Para alunos com dislexia - "uma perturbação específica da aprendizagem, de base linguística e que se manifesta ao longo da vida" que "tem na sua origem um défice fonológico que se reflete em dificuldades de descodificação, fluência leitora e escrita" (segundo o Jornal Público) - e com outros problemas do mesmo foro, o ensino à distância agrava as suas dificuldades de autonomia e de rapidez na resolução das tarefas propostas, da mesma forma que limita a supervisião e o apoio direcionado e especializado do professor. Às dificuldades sentidas no contexto escolar, soma-se a privação de terapias e apoios pedagógicos que agravam as dificuldades transformando uma situação que poderia ser, dentro dos possíveis, normal, numa situação mais complicada e com muitas limitações.
Ajudar alunos com necessidades especiais a lidar com a atual situação tem sido um desafio mas já se estudam e propõe possívis soluções, como a abertura das escolas para estes alunos - “Podia ser só uma manhã ou uma tarde por dia, mas isso ajudava-os a libertar energias, a manter rotinas de socialização que são muito importantes para eles, e dava um espaço aos pais, que bem estão a precisar” (Sara Domingues) - ou o apoio das escolas aos pais e alunos - "assegurar a intervenção que era efectuada, ao nível da reeducação pedagógica”, o que passa por “interagir com eles em sessões síncronas” (João Adelino dos Santos); verificam-se também algumas medidas em agrupamentos de escolas que pretendem melhorar a qualidade de ensino e a facilidade de aprendizagem empenhando todos os seus esforços:
«Também Cristina Domingues dá conta do trabalho que está a ser desenvolvido pelo seu agrupamento: “Foram marcadas reuniões semanais de articulação entre os professores responsáveis da turma e as equipas de técnicos ou docentes da educação especial” e está a ser promovida a “mobilização de parceiros (juntas freguesia, instituições) para articular a chegada e recolha de materiais e contactos a alunos sem equipamentos informáticos”, entre várias outras medidas.»
Pode ver mais sobre esta realidade Aqui, uma reportagem da RTP que dá a conhecer a perspetiva de uma família e de uma criança que têm de lidar com as necessidades especiais abordadas de uma forma diferente.
Referências:
(29 de março de 2020). Obtido de Jornal Público em 31 de maio de 2020:
(17 de abril de 2020). Obtido de Jornal Público em 31 de maio de 2020:
Comentários
Enviar um comentário